Por Dra. Lara El Andere — Médica Oftalmologista | CRM-SP 162034 | RQE 77465 Especialista em Cirurgia Plástica Ocular |
A blefaroplastia superior ou inferior — qual a diferença e qual você precisa? É uma das dúvidas mais comuns de quem está considerando a cirurgia das pálpebra. É preciso operar só a parte de cima, só a de baixo — ou as duas ao mesmo tempo? A resposta depende de cada caso, mas entender a diferença entre blefaroplastia superior e inferior é o primeiro passo para tomar uma decisão bem informada, como aponta a Dra. Lara El Andere em entrevista à Revista Ana Maria
Neste artigo explico em detalhes o que muda de uma para a outra, quais sinais indicam cada tipo de cirurgia, como são realizadas tecnicamente e quando as duas podem — e devem — ser feitas juntas.
O que diferencia a blefaroplastia superior da inferior?
A diferença fundamental está na região que cada cirurgia trata e nos problemas que cada uma resolve. Apesar de ambas atuarem na região dos olhos, são procedimentos distintos — com técnicas, incisões e objetivos diferentes.
A blefaroplastia superior atua nas pálpebras de cima e é indicada principalmente quando há excesso de pele que pesa sobre o olhar, confere aspecto de cansaço ou, em casos mais avançados, cai sobre a linha dos cílios
A blefaroplastia inferior atua nas pálpebras de baixo e é indicada principalmente quando há bolsas de gordura que formam aquele aspecto de ‘olho inchado’ ou cansado, ou excesso de pele abaixo dos olhos associado ao envelhecimento.
Blefaroplastia superior: quando é indicada e como é feita
Sinais que indicam a necessidade da cirurgia superior
- Pele da pálpebra superior caída sobre os cílios ou o olho
- Sensação de peso ou cansaço nos olhos ao final do dia
- Dificuldade para aplicar maquiagem na pálpebra superior devido ao excesso de pele
- Aparência de olhos pequenos ou fechados mesmo quando bem acordado
Como se realiza a blefaroplastia superior
A incisão é feita no sulco natural da pálpebra superior — a dobra que existe quando o olho está aberto. Por isso a cicatriz fica praticamente invisível após a cicatrização completa. O cirurgião remove o excesso de pele e, quando necessário, reposiciona ou retira parte da gordura orbital.
A cirurgia dura em média 60 minutos quando feita isoladamente. Usa anestesia local e sedação, em regime hospitalar — o paciente vai para casa no mesmo dia.
Blefaroplastia inferior: quando indicada e com feita
Sinais que indicam a necessidade da cirurgia inferior
- Bolsas de gordura proeminentes abaixo dos olhos — o ‘olho de bolsa’
- Aparência de cansaço permanente mesmo depois de descansar bem
- Excesso de pele na pálpebra inferior
A realização da blefaroplastia inferior no detalhe
A blefaroplastia inferior tem duas abordagens técnicas principais, e a escolha depende de cada caso:
Via transconjuntival — o acesso é feito pelo interior da pálpebra, sem nenhum corte externo visível. É a técnica preferida quando o objetivo principal é tratar as bolsas de gordura sem excesso significativo de pele. Não deixa cicatriz visível.
Via subciliar — a incisão é feita logo abaixo da linha dos cílios, permitindo também a remoção de excesso de pele além das bolsas de gordura. A cicatriz fica bem próxima aos cílios e torna-se imperceptível após a cicatrização.
Comparativo direto: superior x inferior
Para facilitar a compreensão, veja as principais diferenças entre as duas cirurgias:
Blefaroplastia SUPERIOR
- Região: pálpebras superiores
- Principal queixa: excesso de pele, peso no olhar, aspecto de cansaço
- Incisão: no sulco natural da pálpebra (oculta quando o olho está aberto)
- Duração: 60 minutos (isolada)
Blefaroplastia INFERIOR
- Região: pálpebras inferiores
- Principal queixa: bolsas de gordura, aspecto de olhos inchados
- Incisão: transconjuntival ou subciliar (abaixo dos cílios)
- Indicação essencialmente estética
- Duração: 60 minutos (isolada)
Quando as duas cirurgias são feitas juntas?
A blefaroplastia completa — que combina superior e inferior no mesmo procedimento — é muito frequente na minha prática clínica. Muitos pacientes apresentam alterações nas quatro pálpebras simultaneamente, especialmente a partir dos 45 a 50 anos.
Fazer as duas cirurgias em um único ato cirúrgico tem vantagens claras:
- Uma única anestesia e um único período de recuperação
- Resultado mais harmonioso — o tratamento de apenas uma pálpebra pode criar desequilíbrio visual
- Custo total geralmente inferior a realizar as duas cirurgias separadamente
- Tempo total de cirurgia: entre 2 a 3 horas para as quatro pálpebras
A decisão de operar uma, duas ou quatro pálpebras é sempre tomada em consulta, após avaliação clínica detalhada. Não existe resposta genérica — cada rosto tem suas próprias características e necessidades.
A recuperação é diferente entre superior e inferior?
Em linhas gerais, a recuperação das duas cirurgias é semelhante — mas a blefaroplastia inferior tende a apresentar mais inchaço nos primeiros dias, especialmente quando feita pela via subciliar.
Primeiros 3 a 5 dias:
- Inchaço e hematomas ao redor dos olhos — esperados e transitórios
- Compressas frias e repouso com cabeceira elevada ajudam bastante
- Uso de colírios lubrificantes e pomadas prescritas
Entre 7 e 10 dias:
- Retirada dos pontos na consulta de retorno
- Retorno às atividades cotidianas de baixo esforço
Após 30 dias:
- Liberação para atividade física — o resultado já começa a ser bem perceptível
Como saber qual cirurgia deve ser indicada no seu caso?
Não existe uma forma de determinar isso sem avaliação médica. A indicação depende de fatores que só são avaliados em consulta: quantidade e localização do excesso de pele, volume e distribuição da gordura orbital, posição das sobrancelhas, tônus muscular palpebral, condição da função lacrimal e características individuais de cada rosto.
O que posso adiantar é que alguns sinais são bastante indicativos:
- Se o incômodo principal é a pele que pesa sobre o olho ou dificulta a maquiagem → mais provável indicação de superior
- Se o incômodo principal são as bolsas abaixo dos olhos e o aspecto de cansaço → mais provável indicação de inferior
- Se há os dois problemas → a blefaroplastia completa pode ser a melhor solução
Ainda com dúvida sobre qual cirurgia você precisa? A avaliação presencial resolve essa questão.
Na consulta com a Dra. Lara, analisamos cada pálpebra individualmente, explicamos o que está acontecendo e indicamos o caminho mais adequado para o seu caso — sem pressa e sem compromisso.
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Perguntas frequentes
1. Posso fazer só a blefaroplastia inferior sem fazer a superior?
Sim, perfeitamente. Se a sua queixa é exclusivamente as bolsas abaixo dos olhos e a pálpebra superior não apresenta alterações significativas, a indicação será apenas para a inferior.
2. A blefaroplastia inferior (transconjuntival) quando indicada?
Não. A técnica transconjuntival é excelente para casos em que o problema principal são as bolsas de gordura, sem excesso significativo de pele. Quando há flacidez importante da pele palpebral inferior, a abordagem subciliar — com incisão externa — tende a dar um resultado mais completo.
3. Se eu fizer só a superior agora, posso fazer a inferior depois?
Sim. Não há contraindicação em fazer as cirurgias em momentos diferentes. Muitos pacientes optam por começar pela superior — que tem indicação funcional mais urgente — e posteriormente consideram a inferior. Importante tomar a decisão com base na avaliação individual.
4. A blefaroplastia superior resolve as olheiras?
Não. As olheiras têm causas variadas — pigmentação, vascularização, volume perdido no sulco orbital — e a blefaroplastia não as corrige diretamente. No entanto, a remoção das bolsas de gordura na pálpebra inferior pode reduzir as sombras que deixam a região mais escura, melhorando indiretamente a aparência das olheiras.
Artigo revisado e assinado por:
Dra. Lara El Andere
CRM-SP 162034 | RQE 77465
Médica Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita
Membra da SBCPO | Título de Especialista em Oftalmologia pelo CBO e AMB
dralaraelandere.com.br