Por Dra. Lara El Andere — Médica Oftalmologista | CRM-SP 162034 | RQE 77465
Especialista em Cirurgia Plástica Ocular pelo Hospital CEMA | Membra da SBCPO
Antes de pensar em preço, técnica ou ambiente cirúrgico, há uma decisão que vem em primeiro lugar: com quem fazer a sua blefaroplastia. A escolha do cirurgião é, sem dúvida, o fator que mais impacta o resultado final — tanto na segurança quanto na qualidade estética do procedimento.
No entanto, escolher um cirurgião não pode ser uma decisão baseada em intuição ou em um anúncio bonito nas redes sociais. Existem critérios objetivos, verificáveis, que diferenciam um profissional adequadamente formado para a região palpebral de um cirurgião sem essa especialização específica. Neste artigo explico esses critérios — e como você pode verificá-los antes mesmo de marcar a consulta. Se ainda tem dúvidas sobre o procedimento em si, leia também nosso artigo sobre o que é blefaroplastia.
Por que a escolha do cirurgião para blefaroplastia pesa tanto no resultado
A região ao redor dos olhos é, anatomicamente, uma das mais delicadas do corpo. A pele é a mais fina do organismo — em média seis vezes mais delgada que a pele da bochecha. Além disso, abriga estruturas funcionais essenciais: o músculo levantador da pálpebra, o orbicular, o sistema lacrimal, o tendão cantral lateral, e tudo isso a milímetros do globo ocular.
Por isso, qualquer alteração nessa região — uma incisão fora do plano correto, uma remoção excessiva de pele, uma sutura mal posicionada — pode comprometer não só o resultado estético, mas a função palpebral. Em outras palavras: a escolha do profissional não é uma questão de preferência pessoal. É uma questão técnica que envolve segurança ocular.
Os 5 critérios objetivos para avaliar um cirurgião
Esses são os pontos que considero essenciais — e que qualquer paciente pode verificar antes de marcar uma cirurgia palpebral. Não envolvem opinião, envolvem documentação:
1. Registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) ativo
O primeiro passo é confirmar que o médico tem CRM ativo e em situação regular. Esse é um requisito básico — sem ele, nem se trata de um profissional habilitado para a prática médica. O CRM pode ser consultado gratuitamente no site do Conselho Regional de Medicina do estado em que o médico atua. Em São Paulo, por exemplo, o registro pode ser consultado no site do CREMESP.
2. RQE — Registro de Qualificação de Especialista
O RQE é o registro que comprova que o médico tem especialização reconhecida em uma área específica. Por isso, ele é muito mais relevante do que o CRM isolado quando se trata de uma cirurgia especializada como a blefaroplastia.
Para a cirurgia das pálpebras, o RQE ideal é em Oftalmologia (no caso de oculoplastas) ou em Cirurgia Plástica. Médicos sem RQE não foram avaliados pela sociedade da especialidade — portanto, mesmo que façam o procedimento, não têm a certificação que comprova sua qualificação. O RQE aparece no carimbo do médico, ao lado do CRM, e também pode ser consultado online.
3. Formação específica em cirurgia plástica ocular
Esse é o critério que mais diferencia profissionais na região palpebral. A cirurgia plástica ocular — também chamada de oculoplástica — é uma subespecialidade da oftalmologia que se dedica exclusivamente à anatomia ao redor dos olhos: pálpebras, vias lacrimais, órbita e canto lateral. Para entender por que esse detalhe importa tanto, conheça a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) — entidade que reúne os médicos especializados nessa área no Brasil.
A formação em cirurgia plástica ocular é feita em hospitais especializados, em estágios de fellowship após a residência em oftalmologia. Médicos com essa formação dedicaram anos exclusivamente à anatomia da região dos olhos — algo que faz diferença significativa em uma cirurgia tão precisa.
4. Vínculo com sociedades médicas reconhecidas
Médicos atualizados e comprometidos com o aprimoramento contínuo costumam manter vínculo ativo com sociedades médicas reconhecidas — como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Essas filiações exigem critérios de formação, atualização e conduta ética. Portanto, são um indicativo importante de comprometimento profissional.
5. Local de formação e experiência específica
Hospitais e centros de referência em oftalmologia formam profissionais com base sólida em cirurgia palpebral. Pergunte onde o médico fez sua residência e seu fellowship em oculoplástica. Centros como o Hospital CEMA, em São Paulo, são reconhecidos pela formação de cirurgiões plásticos oculares no Brasil. Além disso, vale entender há quanto tempo o médico dedica sua prática especificamente à cirurgia palpebral — não como uma das muitas áreas em que atua, mas como foco principal.
💡 Importante: nenhum desses critérios deve ser tratado isoladamente. A combinação deles é o que diferencia um profissional adequadamente preparado para a cirurgia palpebral. Por isso, vale verificar todos antes de decidir.
Cirurgião plástico geral × cirurgião plástico ocular: existe diferença?
Essa é uma dúvida frequente — e a resposta importa. Tanto cirurgiões plásticos quanto oftalmologistas com formação em cirurgia plástica ocular podem realizar blefaroplastia. No entanto, há diferenças importantes na formação e no foco da prática:
Cirurgião plástico geral
Profissional com formação em cirurgia plástica de todo o corpo. Realiza uma ampla variedade de procedimentos — abdominoplastia, mamoplastia, blefaroplastia, entre outros. A região palpebral é uma das muitas áreas em que atua. RQE em Cirurgia Plástica.
Cirurgião plástico ocular (oculoplasta)
Médico oftalmologista com fellowship em cirurgia plástica ocular. Sua prática é dedicada exclusivamente à região ao redor dos olhos — pálpebras, vias lacrimais, órbita e canto lateral. RQE em Oftalmologia, com formação adicional em oculoplástica. Conhece tanto a anatomia cirúrgica quanto a fisiologia ocular completa.
Não se trata de dizer que um é “melhor” que o outro — cada profissional tem sua área de domínio. O que vale considerar é: a região operada está no foco principal da prática do profissional escolhido? Para a blefaroplastia, essa é a pergunta central.
As perguntas certas para fazer na consulta
Mais importante do que pesquisar previamente é conversar com o médico de forma direta na consulta. Algumas perguntas são particularmente úteis para entender se o profissional é adequado para o seu caso:
- Qual o seu RQE e em qual especialidade?
- Onde você fez sua residência e seu fellowship?
- Há quanto tempo a cirurgia palpebral é o foco da sua prática?
- Em qual ambiente a cirurgia será realizada — clínica ou hospital?
- Qual o tipo de anestesia que você utiliza?
- Você costuma operar casos como o meu?
- Como funciona o pós-operatório com você? Tenho retornos agendados?
- E se algo der errado — qual é o protocolo de acompanhamento?
Um profissional preparado responderá essas perguntas com clareza e sem desconforto. Para mais detalhes sobre o procedimento em si, vale conferir nosso artigo com as dúvidas frequentes sobre blefaroplastia.
Sinais de atenção que merecem mais investigação
Sem julgar profissionais ou tratamentos específicos, há alguns sinais gerais que merecem reflexão e mais perguntas antes de prosseguir:
- Profissional que oferece preço significativamente abaixo da média do mercado sem explicação clara do que está incluído
- Ausência de avaliação prévia detalhada — agendamento direto da cirurgia sem consulta completa
- Promessas de resultado sem condições — toda cirurgia tem variabilidade, e um bom profissional fala sobre isso
- Pressão para fechar a cirurgia rapidamente — descontos por tempo limitado, urgência sem motivo clínico
- Falta de transparência sobre o ambiente cirúrgico, anestesista ou equipe envolvida
Esses sinais não significam que o profissional é inadequado — significam apenas que vale investigar mais antes de tomar a decisão. Quando algo gera dúvida, costumo recomendar que o paciente busque uma segunda opinião especializada.
Avaliação criteriosa: a base do bom relacionamento médico-paciente
Um ponto que considero fundamental: o profissional certo não é aquele que aceita operar todo paciente que chega ao consultório. É aquele que avalia individualmente cada caso e indica a cirurgia apenas quando há real necessidade. Na minha prática, em muitos casos a conduta correta é começar com um tratamento menos invasivo, observar a evolução e considerar a cirurgia apenas em um segundo momento. Em outros, a indicação cirúrgica é clara desde o início. Não existe receita única — e médico que indica cirurgia para qualquer queixa é alguém que merece mais perguntas antes da decisão.
Além dos critérios técnicos: o encontro humano
Por fim, mesmo com todos os critérios técnicos atendidos, há algo que só a consulta presencial revela: a relação que se estabelece entre médico e paciente. Você se sente ouvida? O profissional explica o procedimento com clareza, sem pressa? As suas perguntas são respondidas de forma transparente? Essa conexão importa — porque a cirurgia é uma jornada compartilhada, e você precisa confiar em quem está te conduzindo. Para entender como acompanhamos o pós-operatório, leia também nosso artigo sobre o pós-operatório da blefaroplastia.
Quer conversar com um profissional dedicado à cirurgia das pálpebras?
A Dra. Lara El Andere é oftalmologista com fellowship em cirurgia plástica ocular pelo Hospital CEMA, membra da SBCPO e dedica sua prática exclusivamente à região ao redor dos olhos. Saiba mais e agende sua avaliação.
Agende pelo WhatsApp: (11) 91942-2000
Perguntas frequentes sobre como escolher seu cirurgião
1. O que é RQE e por que ele é importante?
RQE significa Registro de Qualificação de Especialista. É o registro que comprova que o médico tem especialização reconhecida em uma área específica, sendo concedido pela sociedade da especialidade. Para a cirurgia palpebral, o RQE em Oftalmologia (com formação em cirurgia plástica ocular) ou em Cirurgia Plástica é fundamental — pois atesta a qualificação técnica do profissional.
2. Como verificar o CRM e o RQE de um médico?
O CRM e o RQE podem ser consultados gratuitamente nos sites dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) de cada estado. Em São Paulo, no site do CREMESP. Basta inserir o nome ou o número do CRM do médico — as informações de especialidade e qualificação aparecem publicamente.
3. É normal pedir uma segunda opinião antes da cirurgia?
Absolutamente normal — e em muitos casos, recomendável. A blefaroplastia é uma cirurgia importante e ouvir mais de um profissional pode trazer segurança na decisão. Um bom médico nunca se incomoda com a busca por uma segunda opinião. Pelo contrário: encoraja, quando entende que isso ajuda o paciente a tomar uma decisão mais informada.
Artigo revisado e assinado por:
Dra. Lara El Andere
CRM-SP 162034 | RQE 77465
Médica Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pelo Hospital CEMA
Membra da SBCPO | Título de Especialista em Oftalmologia pelo CBO e AMB
dralaraelandere.com.br