Por Dra. Lara El Andere — Médica Oftalmologista | CRM-SP 162034 | RQE 77465 Especialista em Cirurgia Plástica Ocular pelo Hospital CEMA | Membra da SBCPO
Você reparou em uma alteração logo abaixo das olheiras — naquela região da parte alta da bochecha, entre a pálpebra inferior e a maçã do rosto? Talvez tenha procurado informação na internet e encontrado três termos diferentes para descrever “a mesma coisa”: festoon, bolsa malar e edema malar. Na verdade, são três condições anatomicamente distintas — e essa confusão terminológica é uma das principais causas de tratamentos malsucedidos nessa região.
Compreender a diferença entre elas é o que define o sucesso do tratamento. Cada uma tem origem anatômica, comportamento e abordagem próprios — mas, na prática, a origem costuma ser multifatorial e as três frequentemente coexistem no mesmo paciente. Por isso, como você verá ao longo do texto, não existe um tratamento único: o melhor resultado geralmente vem de uma avaliação individualizada e, muitas vezes, de uma abordagem combinada. Neste artigo explico em detalhe os três conceitos, como diferenciar e como cada um responde a tratamentos específicos. Para entender outra alteração que costuma ser confundida com essas, leia também nosso artigo sobre blefaroplastia que preparei para a Band.
Antes de tudo: a anatomia que importa
Para entender festoons, bolsa malar (malar mound) e edema malar, é preciso conhecer duas estruturas anatômicas que trabalham juntas: o ligamento orbitomalar e o ligamento zigomático-cutâneo.
O ligamento orbitomalar é uma faixa fibrosa que se estende da borda inferior da órbita até a pele, marcando a transição natural entre a pálpebra inferior e a bochecha — a chamada junção pálpebra-bochecha. Logo abaixo dele, já sobre o osso da maçã do rosto (zigoma), corre o ligamento zigomático-cutâneo, que ancora a pele ao osso.
Entre esses dois “freios” fibrosos existe um compartimento anatômico: o espaço pré-zigomático. O teto desse espaço é formado pelo músculo orbicular do olho; o assoalho, pela gordura suborbicular (SOOF). É exatamente dentro desse bolso — delimitado por cima pelo ligamento orbitomalar e por baixo pelo ligamento zigomático-cutâneo — que se desenvolvem as três condições deste artigo.
Há um detalhe que explica tudo: o ligamento orbitomalar (o limite de cima) é mais frouxo que o zigomático-cutâneo (o limite de baixo). Com o tempo, os tecidos e o líquido empurram esse limite superior mais frágil e se acumulam logo abaixo dele, represados pelo ligamento inferior mais forte. É esse desequilíbrio que faz o relevo se formar exatamente nessa faixa da bochecha alta — e é também o que liga as três condições entre si: na prática, elas são estágios de um mesmo processo, do mais leve (líquido) ao mais avançado (estrutural).
É por isso que festoons, bolsa malar e edema malar são alterações da bochecha alta, e não da pálpebra inferior: surgem abaixo da junção pálpebra-bochecha, num território que já pertence à face média. Essa distinção anatômica é fundamental.
As três condições anatomicamente distintas
1. Festoon — o estágio mais avançado: pele e músculo flácidos
O festoon, em sua descrição clássica original (descrito por Furnas em 1978), é o estágio mais avançado desse espectro. Caracteriza-se predominantemente pela flacidez combinada da pele e do músculo orbicular do olho, que descende da pálpebra inferior em direção à região malar — formando uma prega em cascata no formato de “guirlanda” (daí o nome, do francês feston, festão).
O que define o festoon é o seu componente estrutural fixo (pele + músculo flácidos): esse componente não se resolve com drenagem, repouso ou mudança de posição — e é justamente o que o diferencia do edema malar. Por outro lado, é importante saber que, por ser o estágio mais avançado do espectro, o festoon frequentemente também carrega gordura ptótica/herniada e edema por cima dessa base estrutural. Ou seja: ele pode até piorar com sal ou pela manhã, mas nunca desaparece por completo, porque a flacidez de pele e músculo permanece.
- Anatomia: pele + músculo orbicular do olho flácidos (podendo conter, associados, gordura herniada/ptótica e edema)
- Comportamento: base estrutural constante, que não responde a drenagem; pode haver componente líquido sobreposto que flutua, mas a prega não some
- Aparência típica: prega em formato de guirlanda na região da bochecha alta
- Faixa etária mais comum: mais frequente acima dos 50–60 anos, com perda significativa de elasticidade tecidual
2. Bolsa malar (malar mound) — edema crônico com conteúdo tecidual
A bolsa malar — também chamada de malar mound na literatura internacional — é um edema crônico dos tecidos moles dentro do espaço pré-zigomático. Diferente do edema malar simples (que é só líquido e reversível), a bolsa malar já tem conteúdo tecidual: contém gordura e/ou músculo orbicular, por descenso ou hipertrofia desses tecidos.
Algumas pessoas têm bolsa malar visível desde jovens — nesses casos ela é congênita, uma variação anatômica individual. Em outras, torna-se mais evidente com o envelhecimento, à medida que a pele perde firmeza e os tecidos do compartimento se acomodam. Ela se forma abaixo do ligamento orbitomalar: como esse é o limite superior mais frágil do espaço, os tecidos abaulam por baixo dele, contidos pelo ligamento zigomático-cutâneo mais forte. Sua característica marcante é o limite relativamente bem definido, que acompanha os contornos desse compartimento.
- Anatomia: edema crônico de tecidos moles no espaço pré-zigomático, com conteúdo de gordura e/ou músculo orbicular
- Comportamento: relativamente persistente (tem base tecidual), mas pode flutuar quando há componente de edema sobreposto — agrava com retenção de líquido
- Aparência típica: “montinho” ou protuberância bem delimitada na região malar
- Faixa etária: pode aparecer em qualquer idade — em algumas pessoas é congênita, presente desde jovem
3. Edema malar — acúmulo de líquido na região
O edema malar é o ponto de partida do espectro — e o mais “leve” e dinâmico: não é uma alteração estrutural de pele, músculo ou gordura, e sim o acúmulo de líquido (linfa) na região malar. Ele se acumula no espaço pré-zigomático, abaixo do ligamento orbitomalar, que atua como uma espécie de “barreira” represando a drenagem linfática natural da região.
É uma alteração funcional, não estrutural. Sua característica mais marcante é a variabilidade: aparece e desaparece, piora com determinados gatilhos (sal, álcool, falta de sono, calor) e melhora com outros (drenagem, hidratação adequada, posição da cabeça elevada à noite). Quando crônico e persistente, no entanto, pode evoluir para as outras formas do espectro — levando à formação de bolsa malar e, com o tempo, contribuindo para o festoon.
- Natureza: acúmulo de líquido (linfa), não tecido
- Comportamento: altamente variável — piora pela manhã, com calor, sal, álcool
- Aparência típica: inchaço difuso na bochecha alta, com bordas menos definidas
- Pode estar associado a: alergias crônicas, rinossinusite, disfunção tireoideana, retenção sistêmica, e também a procedimentos estéticos prévios na região
💡 Importante — por que isso é multifatorial: na prática clínica, é frequente encontrar combinações dessas três condições no mesmo paciente, justamente porque são estágios de um mesmo processo. Por exemplo: uma pessoa pode ter bolsa malar (com base tecidual) que se acentua quando há retenção de líquido (edema sobreposto) e, ao longo dos anos, desenvolver flacidez cutânea associada (componente de festoon). Por isso o diagnóstico precisa identificar não apenas “qual é”, mas “quais delas estão presentes e em que proporção” — e o tratamento, como veremos, raramente é um só.
Onde isso se diferencia das bolsas palpebrais e olheiras
Os três conceitos acima ficam na bochecha alta — abaixo do ligamento orbitomalar. As bolsas palpebrais clássicas, as olheiras e os sulcos lacrimais ficam acima desse ligamento, no território palpebral. Por isso, mesmo que pareçam estar na “mesma região”, são estruturalmente diferentes:
Bolsa de gordura palpebral Localizada NA pálpebra inferior, ACIMA do ligamento orbitomalar. Causada por herniação da gordura orbital através do septo. Tratamento: blefaroplastia inferior, frequentemente por via transconjuntival.
Olheira (sombra) Coloração ou sombra na pele palpebral inferior. Pode ser pigmentar, vascular, anatômica (projetada por bolsa ou sulco) ou mista. Localização: pálpebra inferior, acima do ligamento. Veja mais em olheiras causadas por bolsas de gordura.
Sulco palpebromalar Depressão linear que segue exatamente a linha do ligamento orbitomalar — separa visualmente a pálpebra da bochecha. Quando acentuado, contribui para o aspecto de “olheira escavada”.
É por isso que diagnosticar errado pode levar a tratamentos malsucedidos: operar a pálpebra de um paciente cujo problema principal é bolsa malar deixa a bolsa malar ainda mais aparente; aplicar preenchimento abaixo do olho de um paciente com bolsa malar pode acentuar a protuberância em vez de melhorá-la.
Como diferenciar na prática: o exame clínico
Na consulta, alguns pontos do exame ajudam a identificar qual condição predomina:
- Comportamento ao longo do dia: se varia significativamente (pior pela manhã, melhora ao longo do dia), há componente de edema importante
- Resposta a manobras: pressionar suavemente a região e observar se há “sinal de cacifo” (depressão temporária) sugere edema; resistência tecidual firme sugere componente estrutural
- Delimitação: bolsa malar tem limites mais bem definidos (acompanha o compartimento); festoon tem aspecto de prega em cascata; edema tem bordas mais difusas
- Pele acima da alteração: pele frouxa e em prega sugere festoon; pele tensa sobre uma protuberância sugere bolsa malar; pele com aspecto edemaciado e brilhante sugere edema
- Aparição: presente desde jovem? Pode ser variação congênita de bolsa malar. Apareceu progressivamente nos últimos anos? Pode ser festoon ou edema crônico
- História clínica: alergias, problemas renais, problemas cardíacos, alterações da tireoide, uso de medicações que retêm líquido — apontam para edema
Causas que aceleram ou agravam cada condição
A origem dessas alterações é multifatorial — raramente há uma causa única. Embora cada condição tenha um peso próprio, vários fatores se somam para acelerar ou agravar o aspecto da região malar:
- Exposição solar crônica — destrói o suporte dérmico de toda a região
- Tabagismo — compromete a microcirculação e a drenagem linfática
- Alergias crônicas (rinite, sinusite) — inflamação local persistente favorece edema crônico
- Consumo excessivo de sal e álcool — agrava o componente edematoso
- Disfunções hormonais e tireoideanas — podem gerar edema crônico generalizado
- Sono insuficiente ou em má posição (cabeça muito baixa)
- Envelhecimento natural — favorece a evolução para festoon (perda de elasticidade, descenso do músculo orbicular, alteração da drenagem linfática)
- Genética — a conformação dos ligamentos da região é hereditária, definindo predisposição à bolsa malar
Tratamento: por que não existe um único, e por que a abordagem combinada costuma ser a melhor
Aqui está o ponto que faz toda a diferença — e que precisa ficar claro: a origem dessas alterações é multifatorial, e não existe um tratamento único que resolva todos os casos. Como pele, músculo, gordura e líquido participam em proporções diferentes de paciente para paciente, o fator que predomina muda — e, com frequência, mais de um componente está presente ao mesmo tempo. Nenhuma técnica isolada dá conta de pele, músculo e líquido simultaneamente; e um plano que funciona muito bem para um paciente pode não funcionar para outro.
Por isso, na maioria dos casos a melhor estratégia é uma abordagem combinada e individualizada, que enderece os diferentes componentes presentes, em vez de uma técnica única. Aplicar o mesmo protocolo para os três, ou tratar a região como se fosse um problema só, é o erro mais comum em consultórios não especializados. Vale também o aviso honesto: por serem alterações persistentes, costumam exigir acompanhamento de longo prazo, e às vezes mais de uma sessão ou etapa.
A seguir, as ferramentas que predominam para cada componente — lembrando que, na prática, elas frequentemente são associadas:
Quando predomina o edema malar
Como o edema é uma alteração funcional, o tratamento começa pelos hábitos e pela investigação das causas subjacentes — antes de qualquer procedimento estético:
- Drenagem linfática facial específica para a região (não a drenagem facial genérica)
- Ajustes de estilo de vida: redução de sal e álcool, sono adequado, cabeceira elevada
- Investigação e tratamento de causas sistêmicas (alergias, tireoide, função renal)
- Em casos refratários e crônicos, opções injetáveis descritas na literatura, como a esclerose com tetraciclina ou doxiciclina, ou corticoide intralesional diluído, sempre em protocolo cuidadoso e criterioso
Quando predomina a bolsa malar
Como a bolsa malar combina conteúdo tecidual e edema crônico, o tratamento atua sobre o suporte tecidual, a definição do contorno e, quando há, o componente líquido:
- Tecnologias de estímulo de colágeno na região (ultrassom microfocado direcionado, radiofrequência microagulhada) — reservadas a casos leves a moderados
- Injetáveis, com indicação muito específica e técnica refinada (o ácido hialurônico, em particular, exige cautela: mal indicado, pode agravar o edema e a própria protuberância)
- Em casos avançados, blefaroplastia estendida com liberação parcial dos ligamentos do espaço pré-zigomático
Quando predomina o festoon
O festoon, por ter base estrutural (pele + músculo flácidos), exige abordagens que atuem nesses tecidos — e, por ser o estágio mais avançado, é o que mais frequentemente precisa de combinação de técnicas:
- Em casos iniciais: tecnologias contracionais (ultrassom microfocado, laser CO2 fracionado profundo) — úteis apenas em quadros leves
- Blefaroplastia estendida com reposicionamento do músculo orbicular
- Suspensão suborbicular — refixação do músculo orbicular em posição mais alta
- Excisão direta (em casos selecionados, com pele muito laxa) — pequena ressecção cutânea controlada
- Quando há edema associado, soma-se ao plano o controle desse componente, já que a cirurgia sozinha não resolve a parte líquida
Conforme abordado em matéria do EGO (iG) sobre cirurgia palpebral moderna, a abordagem atual considera todas as estruturas perioculares de forma integrada — pálpebras, canto lateral, ligamentos e região malar — para entregar resultado verdadeiramente harmônico. É exatamente essa lógica combinada que costuma diferenciar um bom resultado nessa área.
Os erros diagnósticos mais comuns nesta região
Por se tratar de uma região anatomicamente complexa, alguns erros se repetem com frequência em consultas malsucedidas:
- Tratar edema crônico como se fosse alteração puramente estrutural — gera frustração porque o componente líquido continua presente
- Operar bolsa malar como se fosse bolsa palpebral — pode até acentuar a bolsa malar
- Aplicar preenchimento na bolsa malar para tentar “suavizar” — adiciona volume onde já há excesso
- Ignorar o componente de edema em casos crônicos — o tratamento estético sozinho não resolve
- Realizar blefaroplastia tradicional em paciente com festoon — pode deixar o festoon ainda mais visível por contraste
- Buscar uma solução única para um problema multifatorial — quando, na maioria dos casos, é a combinação de medidas que entrega o melhor resultado
Avaliação criteriosa: o diagnóstico é o tratamento
Faço questão de reforçar este ponto: na região malar, mais do que em qualquer outra área da face, o diagnóstico correto é a metade do sucesso terapêutico. Na consulta, examino com atenção quais condições estão presentes — frequentemente é uma combinação delas, em proporções diferentes. Investigo causas sistêmicas que possam estar contribuindo. Avalio a anatomia dos ligamentos da região. Só então defino o plano, que pode variar desde mudanças simples de estilo de vida até uma blefaroplastia estendida com abordagem do território malar — e que, na maioria das vezes, combina mais de uma estratégia. Não existe protocolo padrão nem tratamento único: existe avaliação individualizada que respeite a especificidade anatômica de cada caso. E, por serem condições crônicas e multifatoriais, o cuidado costuma ser de longo prazo — o objetivo é controlar e manter o resultado ao longo do tempo, com acompanhamento periódico, não prometer uma solução única e definitiva.
Aquela alteração abaixo das olheiras que nada parece resolver?
Na consulta com a Dra. Lara avaliamos qual condição está predominante — festoon, bolsa malar ou edema —, identificamos suas causas e indicamos a abordagem certa para cada caso (com frequência, uma combinação delas), somente quando há real necessidade. Saiba mais e agende sua avaliação.
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Perguntas frequentes sobre festoons, bolsa malar e edema malar
1. Festoon e bolsa malar são a mesma coisa? Não. Embora ambas apareçam na mesma região da bochecha alta, são alterações distintas. O festoon é o estágio mais avançado: flacidez de pele e músculo orbicular do olho em formato de “guirlanda” (podendo conter também gordura e edema associados). A bolsa malar (malar mound) é um edema crônico de tecidos moles, com conteúdo de gordura e/ou músculo no espaço malar, frequentemente presente desde a juventude como variação congênita. Podem coexistir — e na prática frequentemente coexistem —, mas exigem abordagens diferentes.
2. Como diferenciar edema malar de bolsa malar? O ponto-chave é o comportamento ao longo do tempo. O edema malar varia bastante: piora pela manhã, com calor, após dias com mais sal ou álcool, e melhora ao longo do dia. A bolsa malar é mais estável, porque tem base tecidual — embora possa flutuar quando há edema sobreposto. Manobras como pressionar a região e observar se há depressão temporária (sinal de cacifo) também ajudam — sugestiva de edema.
3. Preenchimento abaixo dos olhos resolve essas condições? Em geral não — e em vários casos pode até piorar o quadro. Preencher diretamente sobre uma bolsa malar ou festoon adiciona volume onde já há excesso, e o ácido hialurônico pode ainda agravar o edema. O uso do preenchimento na região tem indicação muito específica: tratar o sulco palpebromalar adjacente, em pacientes selecionados, com técnica refinada — e nunca sobre as alterações em si.
4. Vale a pena fazer blefaroplastia se eu tenho festoon ou bolsa malar? Depende inteiramente da combinação encontrada. Em muitos casos, planejamos uma blefaroplastia estendida que aborda simultaneamente o território palpebral e a região malar — resultado muito mais harmônico, justamente por ser uma abordagem combinada. Já operar apenas a pálpebra sem considerar o que está abaixo dela pode acentuar visualmente a alteração malar. Por isso a avaliação prévia detalhada é fundamental.
5. Essas condições têm cura definitiva? Sendo honesta: nenhuma das três tem uma “cura” definitiva no sentido de resolver para sempre. São condições crônicas e multifatoriais — e, como vários dos fatores que as causam continuam agindo (envelhecimento, drenagem linfática da região, predisposição genética, alergias, hábitos), elas podem voltar mesmo após um bom tratamento. A própria literatura mostra que são persistentes por natureza e que parte importante dos pacientes já havia tentado corrigir antes sem sucesso duradouro.
O objetivo realista, portanto, não é eliminar de uma vez por todas, e sim controlar e manter — o que com frequência exige acompanhamento contínuo e, às vezes, retoques ou novas sessões ao longo do tempo. Em linhas gerais:
- Edema malar: costuma responder bem ao controle das causas (alergias, hábitos, condições sistêmicas), mas tende a retornar se essas causas voltam — é manejo contínuo, não cura pontual.
- Bolsa malar: por ter base tecidual, pode ser bastante suavizada, mas dificilmente desaparece por completo e pode reaparecer com o tempo.
- Festoon: mesmo o tratamento cirúrgico bem indicado, embora ofereça o resultado mais duradouro, não impede que o envelhecimento e a flacidez continuem — por isso pode recidivar e demandar reabordagem.
A mensagem central é essa: o tratamento certo melhora muito o aspecto e a qualidade de vida, mas trata-se de um cuidado de longo prazo, com avaliação periódica — e não de uma solução única e definitiva.
Artigo revisado e assinado por: Dra. Lara El Andere CRM-SP 162034 | RQE 77465 Médica Oftalmologista | Especialista em Cirurgia Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pelo Hospital CEMA Membra da SBCPO | Título de Especialista em Oftalmologia pelo CBO e AMB dralaraelandere.com.br